sábado, 9 de janeiro de 2016

IGUALDADE



meio que você mesmo
mais que meio esquisito
nascido em chão de pobreza
batendo terno bonito
não sabe mais o respeito
esquece as voltas da vida
até que um dia se deite
no mesmo chão da desfeita
com as mesmas dores da vida


Márcio Ares. 2016

RECRIAÇÃO



existir, na terra, como os anjos nunca devem ser
talvez seja o que sempre se quis
ser infeliz entre as feras, sob um céu em pedaços,
rumo às coisas mais bonitas, doendo as dores mais doídas,
nos tempos do acaso da vida, querendo às vezes morrer

a certeza  não passeia de mãos dadas conosco, estou certo disso,
nem insiste em sermos outros no infinito de nós mesmos

o erro do pai é o quanto nos custa a vida
a promessa do filho
o difícil desafio do santo espírito
a vontade insana de Deus

Márcio Ares. 2016

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

FÁCIL, FÁCIL

quando o seu olhar de relance
bateu nos meus, por acaso,
meu coração impensado
pensou o amor que chegasse

meu bem  tão perto de longe
eu puro romance encantado



Márcio Ares. 2015.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

PREDESTINADOS


minha alma inteira por ti
corpo, olhos, sentimento, álcool, fumaça
um filme interminável de lindas e estranhas origens
nenhuma legenda
um jeito no cabelo, o vento contra a porta batendo
sozinha e urgentemente

minha alma inteira por ti
o inferno da segunda-feira, o caos, a casa, o acúmulo, a falta
a cabeça doendo
um laço perfeito no buquê, um cartão de cor vermelha, desejo, dor, um poema
e o medo
a dor acontecendo satisfeita, um desinvento, uma ânsia no peito
desesperado e inutilmente

minha alma inteira por ti
infância, beijo, fantasia, sangramento, muro, parede
real desfalecimento
um céu despencado, a razão no escuro, um pedaço de maçã, o nada, a incerteza
o amanhã desacontecendo
um encontro, um motivo, um porquê, a solidão de repente
sem saber,  surpresa, descoberta de ser
amantes para sempre

Márcio Ares. 2015.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

DIZÍVEL



quando escrevo é puro silêncio
a não palavra, o risco, o desaviso
o pleno desentendimento
mas quando o poeta, não mais de repente,
fala as coisas todas cá de dentro
na língua-fronteira-inventamento
como quem diz a razão-raiz
de todos os tempos
o que eu escrevo ama, silente,
o maior amor
a dor-alegramento


Márcio Ares. 2015.

ESPERANTE


a desalegria não fará par comigo se o meu amor não chegar
dor nenhuma doerá desmedida
as más visitas não terão lugar
meu coração ainda sabe ser bonito
de algum modo sobreviverá


Márcio Ares. 2015.