quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

ESPELHO, ESPELHO MEU



Eu vejo um homem à minha cabeceira.
Da velha moldura, ele me sorri. E já não sou seu.
Sei as sombras que pousaram sobre mim
o sorriso desacontecido
algo um pouco triste atrás da imagem antiga
e um jeito simples que há muito se perdeu.

Aquele homem, quase um menino, ainda
parece entender, de um outro lugar, raro e bonito,
que, um dia, eu mesmo o olharia
como quem não mais se vê, nem se adivinha
e, reparando além, por trás daqueles olhos,
saberia uma alegria que ainda me faz bem.

Márcio Ares. 2015.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

FÁCIL, FÁCIL

quando o seu olhar de relance
bateu nos meus, por acaso,
meu coração impensado
pensou o amor que chegasse

meu bem  tão perto de longe
eu puro romance encantado



Márcio Ares. 2015.